Se você já tentou emagrecer inúmeras vezes e sente que sempre volta ao ponto de partida, quero começar dizendo uma coisa: o problema não está na sua força de vontade. O reganho de peso frustra milhares de pessoas justamente porque tentamos tratar uma condição crônica com soluções pontuais e rápidas. Por isso, o tratamento para obesidade baseado em evidências parte de um princípio diferente: a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e recidivante, que merece acompanhamento sério, contínuo e ético.
Sou a Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), endocrinologista em Brasília com formação em Clínica Médica e pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Ao longo dos anos, atendendo desde o pronto-socorro até a endocrinologia de alta complexidade, aprendi que o emagrecimento sustentável não nasce de fórmulas milagrosas, mas de um plano estruturado sobre bases científicas sólidas. Neste artigo, quero mostrar quais são esses pilares e por que eles realmente funcionam a longo prazo.
O que significa tratar a obesidade com base em evidências?
Tratar a obesidade com base em evidências significa utilizar apenas estratégias que foram testadas, estudadas e validadas pela ciência. Isso inclui mudanças de estilo de vida bem orientadas, apoio comportamental e emocional e, quando indicado, medicamentos aprovados pelas agências reguladoras e recomendados pelas diretrizes médicas.
Na prática, isso quer dizer que eu não prescrevo “fórmulas secretas”, combinações manipuladas sem respaldo ou promessas de perda de peso relâmpago. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) reforçam, em suas diretrizes, que o tratamento deve ser individualizado e sustentado por dados confiáveis. É esse compromisso ético que orienta cada conduta no meu consultório.
Além disso, tratar com base em evidências implica reconhecer que a obesidade não é apenas uma questão estética. Ela se relaciona diretamente com o risco de diabetes tipo 2, hipertensão, gordura no fígado, alterações no colesterol e diversos outros desfechos que impactam a qualidade e a expectativa de vida.
Por que a obesidade é considerada uma doença crônica?
Muitas pessoas chegam ao consultório acreditando que basta “fechar a boca” e se exercitar para resolver o problema. Se fosse tão simples, praticamente ninguém teria dificuldade. A obesidade envolve fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais, emocionais e comportamentais que interagem entre si.
O corpo humano possui mecanismos poderosos que tendem a defender o peso mais alto atingido. Quando emagrecemos, ocorrem adaptações metabólicas e hormonais que aumentam a fome e reduzem o gasto de energia, favorecendo o reganho. Esse fenômeno, bem documentado na literatura científica, explica por que tantas pessoas recuperam o peso perdido após dietas restritivas feitas sem acompanhamento.
Compreender a obesidade como doença crônica muda tudo. Assim como uma pessoa com hipertensão precisa de acompanhamento contínuo, quem convive com a obesidade se beneficia de um cuidado de longo prazo. Não se trata de fracasso pessoal, e sim de biologia. Essa mudança de perspectiva é, muitas vezes, o primeiro alívio que ofereço aos meus pacientes.
Quais são os pilares do tratamento para obesidade?
No meu consultório, o tratamento se apoia em três pilares que trabalham de forma integrada: o comportamental, o emocional e o medicamentoso. Nenhum deles funciona plenamente de forma isolada. É a combinação deles, ajustada a cada pessoa, que constrói resultados duradouros.
1. Pilar comportamental
O pilar comportamental diz respeito aos hábitos do dia a dia: alimentação, atividade física, sono e rotina. Aqui, não acredito em dietas punitivas ou proibições absolutas, que costumam gerar frustração e abandono. Meu papel é ajudar você a construir uma relação sustentável com a comida e com o movimento.
Reorganizar horários das refeições, melhorar a qualidade do sono e incluir atividade física de forma progressiva são medidas que impactam diretamente o metabolismo. Pequenas mudanças consistentes, mantidas ao longo do tempo, produzem efeitos muito mais sólidos do que grandes esforços insustentáveis por poucas semanas.
2. Pilar emocional
Você já percebeu que a dificuldade em perder peso muitas vezes não está apenas no prato, mas na rotina, no estresse ou na ansiedade? O componente emocional é frequentemente negligenciado, e isso é um erro. Compulsões, episódios de fome emocional e o uso da comida como válvula de escape têm raízes que precisam ser compreendidas e cuidadas.
Por isso, valorizo a escuta atenta durante a consulta e, quando necessário, integro o apoio psicológico ao tratamento. Cuidar da saúde mental não é um detalhe secundário: é parte central de qualquer processo de emagrecimento saudável com acompanhamento. Sem esse cuidado, dificilmente conseguimos sustentar mudanças reais.
3. Pilar medicamentoso
Quando indicado, o tratamento medicamentoso é uma ferramenta valiosa e respaldada pela ciência. Existem hoje medicamentos aprovados que auxiliam no controle da fome, na regulação metabólica e na perda de peso, sempre prescritos de acordo com o perfil individual e o histórico de saúde de cada paciente.
Faço questão de reforçar: utilizo apenas medicamentos de farmácia, aprovados e validados. Não trabalho com fórmulas manipuladas mágicas nem com combinações sem evidência. E, para garantir total transparência, não mantenho nenhuma parceria comercial com farmácias ou laboratórios. Cada prescrição existe porque faz sentido para a sua saúde, e não por qualquer outro interesse.
Como a nutrologia complementa o tratamento endocrinológico?
A endocrinologia investiga e trata as disfunções hormonais e metabólicas, enquanto a nutrologia aprofunda o olhar sobre a relação entre nutrição, metabolismo e saúde. Como especialista com formação em ambas as áreas, consigo unir esses conhecimentos para oferecer um cuidado mais completo.
Isso é especialmente relevante em situações como a reversão de gordura no fígado, também chamada de esteatose hepática, e no controle de pré-diabetes e colesterol. A abordagem nutrológica permite avaliar não apenas quanto o paciente come, mas a qualidade e o impacto metabólico dessas escolhas, sempre com embasamento científico e sem modismos.
Para que serve a bioimpedância no acompanhamento?
A balança comum informa apenas o peso total, mas ela não diz o que realmente está mudando no seu corpo. A bioimpedância é um exame que ajuda a estimar a composição corporal, diferenciando massa muscular, água e gordura.
Utilizo a bioimpedância na consulta em Brasília para acompanhar a evolução de forma mais precisa. Muitas vezes, o número na balança não desce tão rápido quanto o esperado, mas a composição corporal melhora de forma significativa, com ganho de massa muscular e redução de gordura. Enxergar esses detalhes evita frustrações desnecessárias e nos ajuda a ajustar o plano com inteligência.
Qual a importância do acompanhamento contínuo?
Se a obesidade é uma doença crônica, faz sentido que o cuidado também seja contínuo. A consulta isolada é apenas a porta de entrada. O verdadeiro diferencial está no acompanhamento ao longo do tempo, ajustando condutas, revisando metas e enfrentando junto os obstáculos que aparecem no caminho.
É por acreditar nisso que estruturei formas de cuidado que vão além do atendimento pontual. No Programa Escolha Certa, o paciente conta com uma equipe multidisciplinar para emagrecimento, reunindo o meu acompanhamento como endocrinologista, além de nutricionista, psicóloga e educadora física. Durante quatro meses, caminhamos lado a lado, tratando os pilares comportamental, emocional e medicamentoso de maneira integrada e próxima.
Para quem já iniciou o tratamento e deseja manter o cuidado a longo prazo, o Programa Fidelidade oferece continuidade e suporte. Além disso, mantenho alta disponibilidade para os meus pacientes, inclusive com suporte via WhatsApp para dúvidas que surgem no dia a dia. Afinal, mudanças reais acontecem entre uma consulta e outra, e é nesse intervalo que o apoio faz toda a diferença.
Emagrecimento rápido ou sustentável: o que a ciência recomenda?
Promessas de perda de peso rápida são atraentes, mas raramente se sustentam. A ciência é clara ao mostrar que perdas muito aceleradas, geralmente obtidas por restrições extremas, tendem a favorecer o reganho e podem prejudicar a massa muscular e o metabolismo.
O que defendo, e o que as diretrizes recomendam, é o emagrecimento gradual e sustentável, com foco na saúde metabólica e na manutenção dos resultados. Prefiro construir com você uma perda de peso consistente, que respeite o seu corpo e a sua rotina, a prometer números impressionantes que desaparecem poucos meses depois. Eu mostro o caminho, mas quem o percorre é você, e por isso ele precisa ser possível de trilhar no longo prazo.
E as mulheres 40+ e a menopausa?
Um público que acompanho com muito carinho é o das mulheres na fase do climatério e da menopausa. As mudanças hormonais desse período influenciam diretamente o metabolismo, a distribuição de gordura, a disposição e o humor, tornando o controle do peso mais desafiador.
O ajuste hormonal em mulheres 40+ e o tratamento para menopausa e climatério, quando indicados, devem ser conduzidos com critério, sempre com base em evidências e respeitando a individualidade de cada paciente. Unir esse cuidado ao tratamento da obesidade permite abordar de forma integrada a saúde da mulher nessa fase tão importante da vida.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes das principais instituições científicas da área e revisado por mim, Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), endocrinologista com pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN, garantindo que as informações sigam as evidências mais recentes e os princípios da ética médica. As bases utilizadas foram:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM);
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO);
- Orientações da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN);
- Diretrizes da American Diabetes Association (ADA) e da Endocrine Society;
- Experiência clínica prática em Clínica Médica e endocrinologia de alta complexidade, incluindo o cuidado de pacientes diabéticos complexos e em pós-bariátrica.
Perguntas frequentes sobre o tratamento da obesidade
O tratamento da obesidade tem cura?
A obesidade é uma doença crônica, portanto falamos em controle e remissão, e não em cura definitiva. Com acompanhamento adequado, é possível alcançar e manter resultados consistentes, reduzindo os riscos associados e melhorando a qualidade de vida.
Preciso usar medicamentos para emagrecer?
Nem sempre. O uso de medicamentos é avaliado caso a caso e só é indicado quando os benefícios superam os riscos, conforme o perfil individual. Muitos pacientes evoluem bem com foco nos pilares comportamental e emocional, e a medicação, quando entra, é sempre uma ferramenta complementar.
Por quanto tempo dura o tratamento?
Por ser uma condição crônica, o ideal é um acompanhamento contínuo. A intensidade do cuidado pode variar ao longo do tempo, mas o objetivo é manter os resultados de forma sustentável, e não apenas atingir uma meta pontual.
Emagrecimento saudável é sempre lento?
Ele é gradual e respeita o seu corpo, o que não significa ausência de resultados. Uma perda de peso consistente e mantida ao longo do tempo é muito mais valiosa do que quedas rápidas seguidas de reganho.
A bioimpedância é obrigatória no tratamento?
Não é obrigatória, mas é uma ferramenta útil para acompanhar a composição corporal com mais precisão. Ela ajuda a entender melhor a evolução, indo além do número da balança.
Conclusão
Tratar a obesidade de forma séria exige respeito à ciência, à individualidade e à história de cada pessoa. Os pilares comportamental, emocional e medicamentoso, quando trabalhados de forma integrada e com acompanhamento contínuo, oferecem um caminho realista e sustentável para transformar a saúde.
Se você busca um cuidado ético, transparente e um acompanhamento de verdade, sem promessas milagrosas e sem parcerias comerciais que interfiram na sua saúde, será um prazer caminhar ao seu lado. Agende sua avaliação comigo, Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), e conheça o Programa Escolha Certa e o acompanhamento multidisciplinar em Brasília. Sua saúde merece um plano construído sobre evidências, e não sobre atalhos.