Você já emagreceu, comemorou cada quilo perdido e, meses depois, viu tudo voltar? Se essa história lhe parece familiar, quero começar dizendo algo importante: o reganho de peso não é um sinal de fraqueza, de falta de força de vontade ou de que você fez algo errado. O reganho de peso é, na verdade, uma resposta biológica esperada do organismo, e entender isso muda completamente a forma como encaramos o tratamento da obesidade.
Eu sou a Dra. Sabryna Lucena, endocrinologista com título de especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Ao longo da minha trajetória, desde o pronto-socorro até a endocrinologia de alta complexidade, aprendi que tratar o peso de forma isolada, com dietas restritivas e soluções rápidas, quase sempre leva ao mesmo lugar: a frustração do ciclo que vai e volta. Neste artigo, quero mostrar por que isso acontece e, principalmente, como o acompanhamento contínuo pode transformar essa realidade.
Por que o peso sempre volta depois da dieta?
Essa é uma das perguntas que mais escuto no meu consultório em Brasília. E a resposta está na biologia do corpo humano, não na sua disciplina.
Quando emagrecemos, especialmente de forma rápida e com grande restrição calórica, o organismo entende aquela perda como uma ameaça à sobrevivência. Em resposta, ele ativa uma série de mecanismos de defesa. Os hormônios que controlam a fome, como a grelina, aumentam. Já os hormônios que promovem a saciedade, como a leptina e o GLP-1, diminuem. Além disso, o gasto energético em repouso cai, um fenômeno conhecido como adaptação metabólica.
Na prática, isso significa que, depois de uma dieta, você sente mais fome, fica saciado com mais dificuldade e gasta menos energia do que antes. O corpo literalmente luta para recuperar o peso perdido. Estudos clássicos sobre a fisiologia da obesidade, respaldados pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), demonstram que essas alterações hormonais podem persistir por meses, ou até anos, após a perda de peso.
Por isso, a obesidade é classificada como uma doença crônica e recidivante. Assim como a hipertensão ou o diabetes, ela exige acompanhamento de longo prazo. Ninguém espera tratar a pressão alta por três meses e ter alta definitiva. Com o peso, o raciocínio precisa ser o mesmo.
O reganho de peso é minha culpa?
Quero ser muito clara neste ponto: não. O reganho de peso não é uma falha moral ou de caráter. Durante muitos anos, as pessoas que convivem com a obesidade foram responsabilizadas de forma injusta, como se bastasse “comer menos e se mexer mais”. A ciência mostra que a realidade é bem mais complexa.
O peso corporal é influenciado por fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais, emocionais e comportamentais. Ansiedade, estresse crônico, noites mal dormidas, questões hormonais e até o uso de certos medicamentos podem favorecer o ganho de peso e dificultar a manutenção do emagrecimento.
No meu dia a dia, percebo o quanto o lado emocional pesa nessa equação. A comida muitas vezes se torna uma válvula de escape para a ansiedade, para o cansaço e para a frustração. Culpar o paciente não resolve nada. O que funciona é compreender cada história e construir, juntos, estratégias que respeitem a individualidade de cada pessoa.
Como funciona um tratamento para obesidade baseado em evidências?
Como endocrinologista com foco em nutrologia, baseio todo o meu trabalho em três pilares que atuam de forma integrada: o comportamental, o emocional e o medicamentoso. Nenhum deles funciona bem de forma isolada.
No pilar comportamental, trabalhamos a reeducação alimentar de verdade, sem dietas impossíveis de sustentar. O objetivo é construir hábitos que caibam na sua rotina e que você consiga manter a vida toda. Isso inclui organização das refeições, qualidade do sono e atividade física adequada à sua realidade.
No pilar emocional, reconhecemos e cuidamos das questões que muitas vezes estão por trás do ganho de peso: ansiedade, compulsão alimentar, estresse e baixa autoestima. Esse olhar é fundamental, porque de nada adianta um plano alimentar perfeito se a relação com a comida continuar adoecida.
No pilar medicamentoso, quando há indicação, utilizo apenas medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores, com evidência científica sólida e dispensados em farmácia. Faço questão de deixar isso explícito: não trabalho com “fórmulas secretas”, compostos manipulados milagrosos ou promessas de emagrecimento rápido. Não tenho nenhuma parceria comercial com farmácias ou laboratórios, justamente para que minhas prescrições sejam pautadas exclusivamente no que é melhor e mais seguro para você.
Para acompanhar a evolução de forma objetiva, utilizo o exame de bioimpedância em consulta. Ele nos permite avaliar não apenas o número na balança, mas a composição corporal: quanto é massa muscular, quanto é gordura e como isso evolui ao longo do tratamento. Afinal, o objetivo não é apenas perder peso, mas perder gordura preservando a massa magra.
Por que o acompanhamento contínuo faz tanta diferença?
Aqui está o coração da questão quando falamos em vencer o reganho de peso. A consulta isolada, por melhor que seja, é apenas a porta de entrada. O que realmente transforma resultados é a continuidade do cuidado.
Como expliquei, o corpo tende a lutar para recuperar o peso perdido nos meses seguintes ao emagrecimento. É exatamente nesse período que o acompanhamento se torna decisivo. Com ajustes frequentes, monitoramento da composição corporal e suporte nos momentos difíceis, conseguimos antecipar e contornar os mecanismos de reganho antes que eles ganhem força.
Pense comigo: a maioria das pessoas que reganha peso não voltou a comer mal de um dia para o outro. Houve um afrouxamento gradual, muitas vezes acompanhado de um período de estresse ou de uma mudança na rotina, sem que houvesse alguém por perto para reorientar o caminho. É justamente essa lacuna que o acompanhamento contínuo preenche.
No meu consultório, valorizo muito essa proximidade. Minhas consultas duram em torno de uma hora, porque acredito que escutar com atenção é parte essencial do tratamento. E ofereço suporte contínuo via WhatsApp para dúvidas que surgem no dia a dia, porque sei que a vida real não acontece apenas no momento da consulta.
O que é o Programa Escolha Certa e como ele ajuda?
Foi pensando em oferecer esse cuidado integral e sustentável que estruturei o Programa Escolha Certa, meu programa de acompanhamento multidisciplinar para emagrecimento e saúde metabólica.
Nesse programa, você não caminha sozinho e nem conta apenas com o meu acompanhamento como endocrinologista. Você é amparado por uma equipe multidisciplinar completa, que inclui:
- Endocrinologia e nutrologia: ajuste metabólico e hormonal, com conduta ética e baseada em evidências.
- Nutrição: construção de um plano alimentar viável, personalizado e sustentável.
- Psicologia: cuidado com o pilar emocional, a relação com a comida e a gestão da ansiedade.
- Educação física: orientação de atividade física adequada ao seu corpo e à sua rotina.
Durante o período de acompanhamento, caminhamos lado a lado para ajustar não apenas o seu metabolismo, mas também os seus hábitos, de forma gradual e definitiva. A ideia central é simples e poderosa: eu mostro o caminho, mas quem percorre é você, com suporte em cada etapa.
Esse formato de cuidado contínuo é exatamente o que a ciência recomenda para o tratamento da obesidade como doença crônica. Não se trata de um pacote de emagrecimento rápido, e sim de uma mudança de vida com acompanhamento de verdade.
Reganho de peso também acontece na menopausa?
Sim, e com frequência. Uma parcela significativa das mulheres que atendo chega ao consultório justamente nessa fase, relatando que o peso começou a subir após os 40 anos, mesmo mantendo os mesmos hábitos de antes.
Durante o climatério e a menopausa, a queda dos níveis de estrogênio favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, e contribui para a perda de massa muscular. Soma-se a isso a redução natural do metabolismo com a idade. O resultado é que estratégias que funcionavam antes passam a não dar mais o mesmo retorno.
Para esse público, o ajuste hormonal e metabólico precisa ser individualizado, sempre com base em evidências e segurança. O acompanhamento nessa fase vai muito além do peso: envolve qualidade de vida, saúde óssea, cardiovascular e bem-estar emocional. É um momento que pede escuta atenta e cuidado integral, e é com esse olhar que conduzo cada paciente nessa transição.
Quais consequências o reganho de peso pode trazer para a saúde?
Para além da questão estética, o ciclo de perder e reganhar peso tem impacto direto na saúde metabólica. As oscilações frequentes de peso estão associadas a um pior controle de diversos marcadores importantes.
Entre as condições que frequentemente acompanham o excesso de peso e que melhoram de forma expressiva com o tratamento adequado, destaco:
- Pré-diabetes e resistência à insulina, com risco de evolução para diabetes tipo 2.
- Esteatose hepática, a chamada gordura no fígado, que pode ser revertida com perda de peso sustentada.
- Alterações do colesterol e dos triglicerídeos.
- Hipertensão arterial.
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP), que tem forte relação com a resistência à insulina.
A boa notícia é que a perda de peso consistente, ainda que modesta, de 5% a 10% do peso corporal, já é capaz de melhorar significativamente todos esses marcadores. É por isso que insisto tanto na importância da manutenção: o benefício real para a saúde está em sustentar os resultados ao longo do tempo, e não em alcançar um número na balança por algumas semanas.
O que diferencia um tratamento ético para perda de peso?
Essa é uma preocupação legítima, especialmente diante de tantas promessas milagrosas que circulam por aí. Um tratamento ético se reconhece por alguns princípios que considero inegociáveis na minha prática.
Em primeiro lugar, a transparência. Eu explico o raciocínio clínico por trás de cada conduta, para que você entenda o porquê de cada decisão. Em segundo lugar, a ausência de conflitos de interesse: não possuo parcerias comerciais com farmácias ou laboratórios, de modo que nada do que prescrevo tem motivação financeira por trás.
Em terceiro lugar, o respeito à ciência. Utilizo apenas medicamentos aprovados e validados, nunca compostos sem comprovação. E, por fim, a honestidade sobre as expectativas: não prometo cura nem resultados mágicos. Prometo, sim, controle, acompanhamento próximo e um caminho sustentável para que você conquiste e mantenha a sua saúde.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes das principais instituições científicas da área e revisado por mim, Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), garantindo que as informações sigam as evidências mais recentes e os princípios da ética médica. As fontes que embasam este conteúdo incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre o tratamento da obesidade e distúrbios metabólicos.
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO) a respeito da obesidade como doença crônica e dos mecanismos de reganho de peso.
- Princípios de nutrologia da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), da qual tenho formação complementar.
- Evidências de sociedades internacionais de referência, como a Endocrine Society e a American Diabetes Association (ADA).
Além da base científica, este conteúdo reflete minha experiência clínica, construída desde a atuação em pronto-socorro no SUS até a endocrinologia de alta complexidade, incluindo o cuidado de pacientes com obesidade, diabetes e acompanhamento pós-bariátrica.
Perguntas frequentes sobre reganho de peso
É normal reganhar peso depois de emagrecer?
Sim. O corpo ativa mecanismos hormonais e metabólicos que favorecem a recuperação do peso perdido, especialmente após emagrecimentos rápidos. Por isso, o acompanhamento contínuo é tão importante para a fase de manutenção.
Quanto tempo dura o tratamento da obesidade?
A obesidade é uma doença crônica, assim como a hipertensão e o diabetes. O tratamento não tem um prazo fixo de “alta”, mas evolui em fases. O foco está no controle sustentado e na manutenção dos resultados a longo prazo.
Preciso usar remédio para não reganhar peso?
Nem sempre. A indicação de medicamentos é individualizada e depende de diversos fatores clínicos. Quando há indicação, utilizo apenas medicamentos aprovados e com evidência científica, sempre integrados aos pilares comportamental e emocional.
A bioimpedância é melhor do que a balança comum?
A bioimpedância complementa a avaliação porque mostra a composição corporal, diferenciando massa muscular de gordura. Isso é fundamental para garantir que a perda de peso seja de gordura e não de músculo.
O acompanhamento multidisciplinar é mesmo necessário?
Para a maioria das pessoas, sim. O peso é influenciado por fatores médicos, nutricionais, emocionais e de atividade física. Cuidar de todos esses aspectos de forma integrada aumenta muito a chance de sucesso duradouro.
Chegou a hora de quebrar o ciclo
Se você já passou pelo desgaste de emagrecer e ver o peso voltar, quero que saiba de uma coisa: o problema não foi a sua falta de esforço, mas a ausência de um acompanhamento à altura da complexidade dessa doença. Vencer o reganho de peso é possível quando o tratamento respeita a biologia do seu corpo, cuida do seu lado emocional e oferece suporte contínuo.
No Programa Escolha Certa, você encontra exatamente isso: uma equipe multidisciplinar, conduta ética e transparente, e a minha disponibilidade real para caminhar ao seu lado em cada etapa. Se você busca um cuidado de verdade para transformar sua saúde de forma sustentável, agende sua avaliação comigo, Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), e dê o primeiro passo para quebrar o ciclo de uma vez por todas.