Você já percebeu que a dificuldade em perder peso muitas vezes não está apenas no prato, mas na rotina corrida, no estresse acumulado ou na ansiedade que ataca à noite? O tratamento para obesidade baseado em evidências existe justamente porque a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e não uma simples questão de força de vontade. Por anos, vi pacientes chegarem ao consultório carregando culpa e frustração depois de tentarem dezenas de dietas e promessas de emagrecimento rápido que não se sustentaram. Neste artigo, quero mostrar, de forma transparente, como conduzo esse cuidado na prática do consultório, dividindo a responsabilidade e caminhando ao seu lado.
O que significa tratar a obesidade com base em evidências?
Tratar a obesidade com base em evidências significa tomar decisões clínicas a partir daquilo que a ciência já demonstrou ser seguro e eficaz, e não a partir de modismos ou de fórmulas que prometem resultados milagrosos. Como endocrinologista em Brasília e com formação complementar em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), trabalho exclusivamente com recursos validados: medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores, estratégias nutricionais sustentáveis e acompanhamento contínuo.
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) é clara ao definir a obesidade como uma doença crônica, recidivante e progressiva. Isso muda completamente a forma de tratar. Não basta atacar o sintoma, o peso na balança, sem entender os mecanismos que levaram àquele ganho de peso. Por isso, minha primeira preocupação nunca é prescrever rapidamente. É compreender a história de cada paciente.
Por que a obesidade não é apenas uma questão de comer menos?
Essa é talvez a maior confusão que encontro no consultório. Muitas pessoas chegam acreditando que falharam por não terem disciplina suficiente. A verdade científica é diferente. O nosso organismo possui mecanismos hormonais e neurológicos que regulam a fome, a saciedade e o gasto de energia. Quando alguém perde peso de forma abrupta, o corpo entende aquilo como uma ameaça e ativa respostas que favorecem o reganho. Esse fenômeno está bem documentado na literatura médica e explica por que tantas dietas restritivas falham a longo prazo.
Além do componente biológico, existem os pilares emocional e comportamental. O estresse crônico eleva o cortisol, hormônio que favorece o acúmulo de gordura abdominal. A ansiedade muitas vezes se traduz em compulsão alimentar. A privação de sono altera os hormônios da fome. Por isso, no meu tratamento, eu sempre trabalho em três pilares: comportamental, emocional e medicamentoso. Ignorar qualquer um deles é tratar pela metade.
Como é a primeira consulta no tratamento da obesidade?
Minhas consultas duram cerca de uma hora porque a escuta atenta é parte fundamental do diagnóstico. Não dá para entender o ganho de peso de uma pessoa em dez minutos. Na primeira avaliação, eu investigo o histórico de saúde, os hábitos alimentares, a rotina de sono, o nível de atividade física, o uso de medicamentos e, claro, os aspectos emocionais que cercam a relação de cada um com a comida.
Também utilizo o exame de bioimpedância no consultório, aqui em Brasília. Esse exame me permite enxergar a composição corporal de maneira detalhada: quanto há de massa muscular, de gordura e de água no organismo. Isso é essencial, porque o objetivo do tratamento nunca é apenas reduzir números na balança, e sim preservar massa magra enquanto reduzimos a gordura. Acompanhar a bioimpedância ao longo do tempo me ajuda a ajustar a conduta com precisão.
Quais exames são importantes para investigar o ganho de peso?
O ganho de peso pode estar associado a diversas alterações metabólicas e hormonais que precisam ser investigadas. Frequentemente solicito exames para avaliar a função da tireoide, a glicemia e a resistência à insulina, o perfil de colesterol e triglicerídeos, além de marcadores de função hepática para identificar a presença de gordura no fígado, conhecida como esteatose hepática.
Essas avaliações são importantes porque a obesidade raramente vem sozinha. É comum encontrar pré-diabetes, colesterol elevado e esteatose já instalados. A boa notícia é que, com acompanhamento adequado, muitas dessas condições podem ser controladas e, em diversos casos, há reversão da gordura no fígado quando o paciente alcança e mantém uma perda de peso consistente. Mais uma vez, isso reforça que estamos diante de um trabalho de médio e longo prazo, não de uma corrida de poucas semanas.
Os medicamentos para emagrecer são seguros?
Essa é uma das perguntas que mais ouço. Os medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade são seguros quando indicados pelo profissional correto, na dose adequada e com acompanhamento. Existem hoje opções respaldadas por estudos robustos e aprovadas pelas agências reguladoras, e é com essas que eu trabalho. Sigo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da ABESO ao definir quando e como introduzir uma medicação.
Faço questão de deixar claro um ponto que considero inegociável: não tenho nenhuma parceria comercial com farmácias ou laboratórios. Minhas prescrições são pautadas estritamente na ética e na ciência. Não receito fórmulas manipuladas mágicas, combinações sem evidência ou substâncias que prometam derreter gordura. O medicamento, quando necessário, é uma ferramenta de apoio dentro de um plano maior, e nunca a solução isolada. A medicação ajusta o terreno biológico, mas é o paciente quem percorre o caminho da mudança de hábitos.
Por que o acompanhamento contínuo faz tanta diferença?
Se há uma mensagem que gostaria que ficasse deste texto, é esta: a consulta isolada é apenas a porta de entrada. A obesidade, por ser uma doença crônica, exige acompanhamento ao longo do tempo. Quem trata pressão alta ou diabetes não espera resolver tudo em uma única visita, e com o peso o raciocínio é o mesmo.
Foi pensando nisso que estruturei formas de cuidar dos meus pacientes de maneira próxima e contínua. Estou disponível para suporte via mensagem para dúvidas que surgem no dia a dia, porque sei que a vida real acontece fora do consultório, nos momentos de decisão diante da geladeira, na festa de fim de semana ou no dia em que tudo parece desandar. Esse vínculo de confiança é o que sustenta os resultados a longo prazo.
O que é o Programa Escolha Certa?
Para os pacientes que precisam de um suporte mais completo, ofereço o Programa Escolha Certa. Nele, o cuidado não fica restrito à endocrinologia. Durante quatro meses, você conta com o meu acompanhamento somado ao de uma equipe multidisciplinar para o emagrecimento, que inclui nutricionista, psicóloga e educadora física.
Essa abordagem integral existe porque, como já expliquei, a obesidade tem raízes biológicas, comportamentais e emocionais. A nutricionista ajuda a construir uma alimentação sustentável e prazerosa. A psicóloga atua nos gatilhos emocionais e na relação com a comida. A educadora física orienta o movimento de forma segura e adequada à composição corporal de cada pessoa. E eu cuido do ajuste metabólico e hormonal, costurando todas essas frentes. Caminhamos juntos, ajustando o metabolismo e os hábitos de forma muito próxima e realista.
Para quem já passou pela fase inicial e busca manter os resultados, também conduzo o acompanhamento dentro de um modelo de continuidade, o Programa Fidelidade, porque a manutenção é tão importante quanto a perda de peso. Manter o que foi conquistado é, muitas vezes, o maior desafio, e é onde o suporte profissional se torna decisivo.
O tratamento para obesidade serve também para mulheres na menopausa?
Sim, e esse é um ponto delicado que merece atenção especial. Mulheres a partir dos 40 anos, no climatério e na menopausa, frequentemente percebem mudanças importantes na composição corporal. A queda dos níveis hormonais favorece o acúmulo de gordura, especialmente na região abdominal, e reduz a massa muscular. Não é impressão: é fisiologia.
Nesses casos, o tratamento da obesidade caminha junto com o cuidado do climatério. O ajuste hormonal para mulheres 40+, quando indicado e baseado em evidências, somado às estratégias nutricionais e ao fortalecimento muscular, faz uma diferença enorme na qualidade de vida. Atendo muitas pacientes nessa fase que chegam frustradas por sentirem que o corpo deixou de responder como antes. Meu papel é mostrar que existe um caminho seguro, individualizado e respaldado pela ciência para essa nova etapa.
E quando o ganho de peso vem de distúrbios hormonais?
Além da obesidade primária, existem condições endócrinas que influenciam diretamente o peso e o metabolismo. O hipotireoidismo, por exemplo, pode reduzir o gasto energético e dificultar o emagrecimento. A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) está frequentemente associada à resistência à insulina e ao ganho de peso. Por isso, antes de qualquer conclusão precipitada, é fundamental investigar.
Como endocrinologista para tratamento de tireoide e de outros distúrbios hormonais, faço questão de tratar a causa, e não apenas a consequência. Quando há uma doença hormonal de base, controlá-la adequadamente é parte essencial do sucesso do tratamento. Mais uma vez, a individualização é a palavra-chave: não existe protocolo único que sirva para todas as pessoas.
Quanto tempo leva para ver resultados no tratamento da obesidade?
Entendo perfeitamente a ansiedade por resultados, mas preciso ser honesta: emagrecimento saudável com acompanhamento é um processo gradual. A literatura científica é consistente ao mostrar que perdas de peso lentas e progressivas têm muito mais chance de se manterem do que perdas abruptas. Uma redução sustentável e respeitosa com o organismo tende a preservar a massa muscular e a reduzir o risco do temido efeito sanfona.
Por isso, ao longo do acompanhamento, eu não olho apenas para a balança. Avalio a evolução da composição corporal pela bioimpedância, a melhora dos exames metabólicos, a qualidade do sono, a disposição e o bem-estar emocional. Esses são os indicadores que realmente importam para uma saúde duradoura. Eu mostro o caminho, mas é você quem o percorre, e meu compromisso é estar ao seu lado em cada etapa.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes das principais entidades científicas da área e revisado a partir da minha experiência clínica, garantindo que as informações sigam as evidências mais recentes e os princípios da ética médica. As fontes que fundamentam este conteúdo incluem:
- Diretrizes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) sobre obesidade e distúrbios endócrinos;
- Recomendações da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO);
- Princípios da Nutrologia conforme a Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN);
- Consensos internacionais da Endocrine Society e da American Diabetes Association (ADA) sobre metabolismo e doenças associadas à obesidade.
Sou a Dra. Sabryna Lucena, endocrinologista com título de especialista, formação em Clínica Médica, pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN e vivência em casos de alta complexidade. Atuo de acordo com o registro CRM-DF 20912 e RQE 12481, sempre priorizando o cuidado ético e individualizado.
Perguntas frequentes sobre o tratamento da obesidade
O tratamento para obesidade tem cura?
A obesidade é uma doença crônica, o que significa que não falamos em cura, mas em controle e, em muitos casos, remissão das complicações associadas. Com acompanhamento contínuo é possível alcançar e manter resultados duradouros e melhorar significativamente a saúde.
Preciso usar medicação para emagrecer?
Nem sempre. A indicação de medicamentos depende da avaliação individual, do índice de massa corporal, das doenças associadas e da resposta às mudanças de hábitos. Quando indicado, uso apenas medicamentos aprovados e seguros, dentro de um plano completo.
A bioimpedância substitui a balança comum?
A bioimpedância complementa a avaliação ao mostrar a composição corporal, ou seja, a proporção de massa muscular e de gordura. Isso permite um acompanhamento muito mais preciso do que apenas observar o peso total.
É possível tratar a gordura no fígado com perda de peso?
Sim. A esteatose hepática frequentemente responde muito bem à perda de peso sustentável e à melhora dos hábitos, podendo haver reversão do quadro com acompanhamento adequado.
Mulheres na menopausa precisam de um tratamento diferente?
O tratamento é individualizado e leva em conta as alterações hormonais dessa fase. Para mulheres 40+, frequentemente combinamos o cuidado do climatério com as estratégias de controle de peso, sempre com base em evidências.
Conclusão
O tratamento da obesidade baseado em evidências é, antes de tudo, um compromisso com a verdade científica e com o respeito a cada paciente. Não existem atalhos mágicos, mas existe um caminho seguro, transparente e construído a quatro mãos. Trato a obesidade como a doença crônica que ela é, sem culpar quem busca ajuda e sem prometer milagres que a ciência não comprova.
Se você busca um cuidado ético, transparente e um acompanhamento de verdade para transformar sua saúde, com suporte próximo e uma equipe preparada, agende sua avaliação comigo, Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 / RQE 12481), no consultório em Brasília. Será um prazer caminhar ao seu lado nessa jornada.