Você já percebeu que a dificuldade em perder peso muitas vezes não está apenas no prato, mas na rotina corrida, no estresse acumulado ou na ansiedade que aparece ao final de um dia exaustivo? Se você já tentou de tudo e sente que o peso sempre retorna, saiba que isso não é falta de força de vontade. Entender como tratar a obesidade exige reconhecer que estamos diante de uma doença crônica, complexa e multifatorial, que raramente se resolve com soluções rápidas ou promessas milagrosas. Neste artigo, quero conversar com você sobre uma abordagem que considero fundamental: a união entre o pilar comportamental e o pilar medicamentoso, sempre dentro dos princípios da medicina baseada em evidências.
Ao longo dos meus anos de prática clínica, desde o pronto-socorro até a endocrinologia de alta complexidade, aprendi que o paciente que emagrece e mantém o resultado é aquele que compreende o próprio corpo e recebe suporte contínuo. Não existe atalho, mas existe caminho. E é sobre esse caminho, feito de ciência e de escuta atenta, que vou falar a seguir.
Por que a obesidade é considerada uma doença crônica?
Muita gente ainda enxerga a obesidade como uma questão puramente estética ou como consequência de escolhas erradas. Essa visão, além de injusta, atrapalha o tratamento. A obesidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e por sociedades científicas, como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), como uma doença crônica, recidivante e de origem multifatorial.
Isso significa que fatores genéticos, hormonais, ambientais, emocionais e comportamentais atuam em conjunto. O nosso corpo possui mecanismos de defesa que, ao longo da evolução, foram programados para poupar energia e resistir à perda de peso. Quando você emagrece, o organismo tende a reduzir o gasto energético e a aumentar os hormônios que estimulam a fome. É por isso que tantas pessoas recuperam o peso perdido: o corpo trabalha ativamente para voltar ao ponto anterior.
Compreender essa biologia muda tudo. O reganho de peso não é um sinal de fracasso pessoal, mas uma resposta fisiológica esperada. Por isso, o tratamento precisa ser contínuo, assim como fazemos com a hipertensão ou o diabetes. Ninguém trata a pressão alta por trinta dias e espera que ela desapareça para sempre. Com a obesidade, o raciocínio é o mesmo.
O que é o pilar comportamental no tratamento da obesidade?
Quando falo em pilar comportamental, não me refiro apenas a “comer menos e se movimentar mais”. Estou falando de investigar profundamente a relação que você tem com a comida, com o corpo e com as emoções. Grande parte dos meus pacientes descobre, ao longo do acompanhamento, que o excesso alimentar está conectado a gatilhos emocionais, à privação de sono, à sobrecarga de responsabilidades ou à ansiedade.
O aspecto comportamental envolve identificar padrões automáticos. Muitas pessoas comem por impulso diante do estresse, sem sequer perceber. Outras pulam refeições durante o dia e acabam em episódios de compulsão à noite. Não se trata de julgar esses comportamentos, mas de compreendê-los para transformá-los aos poucos.
Nesse processo, considero essencial o trabalho conjunto com outros profissionais. Uma nutricionista ajuda a reconstruir a relação com o alimento de forma sustentável, sem dietas restritivas que geram frustração. A psicóloga auxilia a lidar com as questões emocionais que sabotam o processo. A educadora física orienta a movimentação de maneira segura e prazerosa. Eu mostro o caminho e coordeno o cuidado, mas é o paciente quem o percorre, dia após dia.
Como as emoções influenciam o ganho de peso?
As emoções têm um papel muito maior do que costumamos imaginar. O estresse crônico eleva os níveis de cortisol, um hormônio que favorece o acúmulo de gordura, principalmente na região abdominal, e aumenta o desejo por alimentos calóricos. A privação de sono desregula os hormônios da fome e da saciedade, a grelina e a leptina, fazendo com que você sinta mais fome no dia seguinte a uma noite mal dormida.
Além disso, muitas pessoas usam a comida como forma de conforto ou fuga. Esse comportamento, chamado de comer emocional, é extremamente comum e não deve ser motivo de vergonha. Reconhecê-lo é o primeiro passo para construir estratégias diferentes de lidar com o sofrimento. É por isso que insisto tanto na importância do olhar integral: tratar apenas o número na balança, sem cuidar do que está por trás dele, quase sempre leva ao reganho.
Quando o tratamento medicamentoso é indicado?
Aqui entra o segundo pilar, que precisa ser abordado com muita responsabilidade. O tratamento medicamentoso da obesidade não é para todos e jamais deve substituir as mudanças de estilo de vida. Ele é uma ferramenta poderosa quando bem indicada, dentro de critérios clínicos claros e sempre com acompanhamento médico.
De maneira geral, o uso de medicamentos é considerado quando o paciente apresenta índice de massa corporal elevado ou quando há comorbidades associadas, como pré-diabetes, hipertensão, gordura no fígado ou alterações no colesterol. Nesses casos, as medicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e respaldadas por diretrizes da ABESO e da Endocrine Society podem ajudar a controlar a fome, aumentar a saciedade e melhorar parâmetros metabólicos.
Faço questão de esclarecer um ponto que considero inegociável na minha prática: prescrevo apenas medicamentos com aprovação regulatória e evidência científica sólida. Não trabalho com “fórmulas secretas”, compostos manipulados sem comprovação ou promessas de perda de peso rápida. Não possuo qualquer parceria comercial com farmácias ou laboratórios. Essa transparência é a base de uma relação de confiança e garante que a indicação seja feita pensando exclusivamente na sua saúde.
Os medicamentos para emagrecer são seguros?
Quando indicados de forma criteriosa e monitorados por um profissional qualificado, os medicamentos aprovados para o tratamento da obesidade possuem perfil de segurança bem estabelecido. As classes disponíveis atualmente, incluindo os análogos de GLP-1, foram amplamente estudadas e demonstraram benefícios não apenas na perda de peso, mas também no controle glicêmico e na proteção cardiovascular, conforme dados publicados em periódicos como o JAMA e revisados por sociedades científicas.
O que torna o tratamento seguro é justamente o acompanhamento. Cada organismo responde de uma forma, e ajustes de dose, avaliação de efeitos e monitoramento de exames são fundamentais. É por isso que desconfio profundamente da automedicação ou da compra de substâncias sem orientação. O medicamento certo, na dose certa, para a pessoa certa, faz toda a diferença. E isso só é possível com uma avaliação individualizada.
Por que unir os dois pilares é mais eficaz?
Imagine tentar tratar a obesidade usando apenas medicação, sem mudar hábitos. Assim que o remédio fosse suspenso, o peso retornaria, porque as causas comportamentais e emocionais continuariam presentes. Por outro lado, tentar mudar apenas o comportamento, em pacientes com forte componente hormonal ou metabólico, pode gerar anos de esforço com resultados frustrantes, alimentando aquele ciclo de tentativa e recaída.
A força do tratamento está exatamente na união. O medicamento ajuda a controlar a fisiologia que trabalha contra você, reduzindo a fome e facilitando a adesão às mudanças. Enquanto isso, o trabalho comportamental constrói as bases para que os resultados se mantenham a longo prazo, mesmo quando, no futuro, a medicação puder ser reduzida ou ajustada.
Penso no tratamento como uma parceria de longo prazo. Não busco resultados rápidos e insustentáveis, e sim uma transformação real na sua saúde e na sua qualidade de vida. É por essa razão que utilizo, na avaliação, recursos como a bioimpedância, que permite acompanhar a composição corporal de forma detalhada, indo muito além do peso na balança. Assim, conseguimos monitorar a perda de gordura e a preservação da massa muscular, ajustando as estratégias conforme a evolução de cada pessoa.
Como funciona o acompanhamento contínuo na prática?
Uma consulta isolada é apenas a porta de entrada. A obesidade, por ser crônica, exige presença e continuidade. Foi pensando nisso que estruturei meu atendimento em torno de programas de acompanhamento, nos quais o paciente não caminha sozinho.
No Programa Escolha Certa, por exemplo, você conta com uma equipe multidisciplinar ao longo de meses de acompanhamento. Além do meu cuidado como endocrinologista, você tem o apoio de nutricionista, psicóloga e educadora física. Trabalhamos juntos, de forma coordenada, ajustando o metabolismo e os hábitos de maneira gradual e sustentável. Essa integração faz toda a diferença, porque cada profissional atua em um aspecto do problema, sempre em sintonia.
Valorizo também a disponibilidade. Sei que dúvidas surgem no dia a dia, longe do consultório, e por isso ofereço suporte contínuo aos meus pacientes. Estar acessível para orientar diante de uma dificuldade ou de uma insegurança é parte do que entendo como cuidado de verdade. Emagrecer e cuidar da saúde metabólica não deveria ser uma jornada solitária.
Quanto tempo leva para ver resultados no tratamento da obesidade?
Essa é uma das perguntas que mais recebo, e minha resposta é sempre honesta. Resultados sustentáveis levam tempo. A perda de peso saudável costuma ocorrer de forma gradual, e isso é justamente o que garante a manutenção a longo prazo. Emagrecimentos muito rápidos tendem a comprometer a massa muscular e favorecem o reganho.
Mais importante do que a velocidade é a consistência. Ao longo das primeiras semanas, muitos pacientes já percebem melhora na disposição, no controle da fome e em exames laboratoriais, como a redução da glicemia e do colesterol. A reversão de quadros como a gordura no fígado, a esteatose hepática, também acontece de forma progressiva, à medida que os hábitos se transformam e o metabolismo se reequilibra.
E as mulheres na menopausa e no climatério?
Dedico uma atenção especial às mulheres a partir dos 40 anos, uma fase em que as mudanças hormonais impactam diretamente o metabolismo. A queda do estrogênio durante o climatério e a menopausa favorece o acúmulo de gordura abdominal, a perda de massa muscular e uma resistência maior à perda de peso. Muitas mulheres relatam que mantiveram os mesmos hábitos de sempre, mas o corpo passou a responder de forma diferente.
Nessa etapa da vida, o tratamento precisa considerar o cenário hormonal como um todo. O ajuste metabólico e hormonal, quando indicado e feito com base em evidências, pode melhorar significativamente a qualidade de vida, o sono, a disposição e o controle do peso. É um trabalho de ajuste fino, que respeita a individualidade de cada mulher e valoriza tanto os aspectos físicos quanto os emocionais dessa transição.
Por que confiar neste conteúdo?
Este artigo foi redigido com base nas diretrizes das principais entidades científicas da área e revisado pela Dra. Sabryna Lucena (CRM-DF 20912 | RQE 12481), garantindo que as informações sigam as evidências mais recentes e os princípios da ética médica. As referências utilizadas incluem:
- Diretrizes da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO);
- Orientações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM);
- Recomendações da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN);
- Publicações e consensos da Endocrine Society e da American Diabetes Association (ADA);
- Estudos clínicos publicados em periódicos revisados por pares, como o JAMA.
Além do embasamento científico, este conteúdo reflete a experiência clínica de Dra. Sabryna Lucena, endocrinologista com título de especialista, formação em Nutrologia pela ABRAN e vivência em endocrinologia de alta complexidade, atuando de forma ética e sem qualquer parceria comercial com farmácias ou laboratórios.
Perguntas frequentes sobre o tratamento da obesidade
Preciso tomar medicamento para sempre?
Não necessariamente. O uso de medicação é individualizado e reavaliado periodicamente. Em muitos casos, à medida que os hábitos se consolidam, a dose pode ser reduzida ou ajustada. O objetivo é o controle da doença a longo prazo, e cada decisão é tomada de forma conjunta e baseada na sua evolução.
Posso emagrecer só com dieta e exercício?
Algumas pessoas conseguem, mas para muitos pacientes, especialmente aqueles com forte componente hormonal ou metabólico, apenas a mudança de hábitos não é suficiente. A avaliação individualizada define se o tratamento medicamentoso será um aliado importante no seu caso.
O tratamento da obesidade serve para prevenir outras doenças?
Sim. Controlar a obesidade reduz significativamente o risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, esteatose hepática e diversas outras condições. O tratamento vai muito além da estética: trata-se de proteger a sua saúde de forma ampla.
Como saber se meu ganho de peso tem causa hormonal?
Apenas uma avaliação clínica detalhada, com exames laboratoriais e análise do histórico, pode identificar causas hormonais como alterações na tireoide, síndrome dos ovários policísticos ou resistência à insulina. Por isso, o acompanhamento com um endocrinologista é fundamental.
Conclusão
Tratar a obesidade de forma eficaz exige respeito à complexidade da doença. Não existe solução mágica, mas existe um caminho sólido, construído sobre a união entre o pilar comportamental e o pilar medicamentoso, sempre guiado pela ciência e pela ética. Ao compreender que a obesidade é crônica e multifatorial, você deixa de se culpar e passa a agir com estratégia, apoio e continuidade.
Se você busca um cuidado transparente, sem promessas milagrosas e com acompanhamento de verdade para transformar a sua saúde, eu, Dra. Sabryna Lucena, estou à disposição no meu consultório em Brasília. Por meio do Programa Escolha Certa e do acompanhamento multidisciplinar, caminhamos ao seu lado em cada etapa. Agende sua avaliação e descubra como um cuidado ético e integral pode fazer a diferença na sua vida. Dra. Sabryna Lucena – CRM-DF 20912 | RQE 12481.